Contagem regressiva para implementação do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos

1 de outubro de 2019

Novos medicamentos: Esforço para rastrear produtos (Valor Econômico)

Jornalista: Adriana Carvalho
27/09/19

Atribuir uma identidade para cada uma das mais de 4 bilhões de embalagens de medicamentos comercializadas a cada ano no Brasil e colocar em prática toda a logística necessária para garantir a sua rastreabilidade: essa é a complexa missão que as indústrias farmacêuticas deverão concluir até abril de 2022 para atender à lei federal 13.410 de 2016, que determina a criação do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos.

O esforço visa combater as falsificações de remédios e conferir maior agilidade para realizar operações de recall em caso de problemas. Segundo pesquisa divulgada pela Organização Mundial da Saúde em 2017, um em cada dez medicamentos comercializados em países de baixa e média renda é falsificado ou de baixa qualidade, o que provoca a morte de milhares de pessoas a cada ano.

Pioneira na produção de um lote de medicamento rastreável em 2014 (do contraceptivo lume), a Libbs Farmacêutica já investiu RS 12 milhões para se adaptar à lei. Segundo Márcia Bueno, diretora de relações institucionais, o grupo está 100% adequado ao processo de serializaçâo, que significa aplicar a cada unidade comercializada um código único. Agora o grupo trabalha no processo de rastreabilidade. “Estamos estudando a implementação de recursos de robotização e automação”, explica. Ao lado de outras gigantes da indústria, a Libbs faz parte de um projeto piloto da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para testes no processo de rastreabilidade. Segundo Bueno, os primeiros ensaios já foram realizados.

Na Aché, os investimentos realizados até agora somam RS 23 milhões. “Iniciamos o processo de implantação para a rastreabilidade em 2015, quando a exigência da Anvisa entrou em pauta”, diz a presidente Vânia Nogueira de Alcantara Machado. Ela explica que foi necessário adaptar layouts das linhas de produção, ampliando espaço para adicionar os módulos de impressão de códigos conhecidos como Datamatrix ou bidimensional, que são visualmente parecidos com um QR code, mas que utilizam menos espaço para compactar dados. Outros equipamentos também foram instalados como controles de impressão em cada linha através de leitor óptico. Atualmente, 60% das linhas de produção já estão adequadas à nova norma, diz ela. Segundo Machado, a expectativa é que ainda seja necessário investir entre R$ 15 milhões a R$ 20 milhões para implementar a tecnologia em 100% do parque industrial até 2022.

Embora não divulgue números de investimento, a Janssen Brasil informa que já possui 99% de sua produção serializada. “Desde 2015 a Janssen vem trabalhando na serialização de suas linhas de produção no Brasil, projeto que contou com a participação de cerca de 70 pessoas dedicadas e 500 treinadas”, afirma Pamela Siqueira, diretora de operações do grupo.

A Bayer Brasil também não divulga valores investidos mas diz que está em fase de análise para definir o melhor software que fará a integração entre todos os participantes da cadeia a ser rastreada, que incluem o grupo, a Anvisa, distribuidores e farmácias. Segundo Carl-Alexander Scheef, diretor de fornecimento de produtos da Divisão Farmacêutica da Bayer Brasil, no ano passado a Bayer iniciou um projeto piloto com a prestadora de serviços de rastreabilidade R&B, que testou toda a logística tomando como base uma das linhas de produção do medicamento de reposição hormonal Climene, produzido na fábrica de Cancioneiro, em São Paulo. “Agora está sendo planejada a implementação do sistema de serialização nas demais linhas de embalagem da fábrica de Cancioneiro para o período entre outubro de 2020 e janeiro de 2021”, diz ele.

Fonte: Valor Econômico

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