Contagem regressiva para implementação do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos

23 de junho de 2021

Medicamento biossimilar engatinha no Brasil

A corrida por vacinas e tratamentos contra a Covid-19 representou mais um empurrão para a indústria global de medicamentos biossimilares, cujo faturamento superou a casa dos US$ 10 bilhões no ano passado. A IQVIA prevê que as cifras subam para US$ 80 bilhões até 2025. Mas o Brasil vive em um mundo à parte, mesmo com algumas farmacêuticas ensaiando investimentos no país.

Dos 32 remédios do gênero já registrados pela Anvisa, 21 receberam aprovação entre 2018 e 2019. Além disso, outros cinco já estão na fila. A agência, inclusive, instituiu a RDC 205 para criar uma fila de prioridade na análise desses medicamentos – especialmente os que atuam no combate a doenças raras. Mas quando o assunto é a incorporação do biossimilar, a frequência é outra.

Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza apenas cinco biossimilares, voltados para tratamentos oncológicos e doenças reumáticas. E somente dois são produzidos inteiramente no Brasil – o ritumixabe, da Sandoz,para casos de artrite reumatoide e linfoma não-Hodgkin; e a somatropina, do Laboratório Cristália, usado no combate ao hipopotuitarismo, uma espécie de deficiência do hormônio do crescimento.

Em 2018, o Ministério da Saúde chegou a formar um grupo de trabalho, responsável por produzir recomendações para uma Política Nacional de Medicamentos Biológicos no âmbito do SUS. O relatório final da comissão saiu do papel em dezembro do mesmo ano, mas as diretrizes ficaram na gaveta.

Coordenadora do Complexo Industrial do Ministério à época, Mirna Oliveira acompanhou de perto esse processo, mas enxerga entraves no parque industrial brasileiro. Segundo ela, os laboratórios carecem de estrutura para absorver a produção desses medicamentos, que exigem tecnologias mais caras em relação aos remédios sintéticos. “À medida que os laboratórios nacionais adquirirem essa capacidade, o preço tende a cair, dando vantagem aos biossimilares nas licitações”, admite.

Novos investimentos da indústria

No Brasil, a pandemia contribuiu para estagnar investimentos das farmacêuticas nesse segmento, mas recentes movimentos indicam um princípio de retomada. No início deste mês de junho, a norte-americana MSD finalizou o processo de cisão da sua divisão de saúde feminina, que culminou na criação da Organon.

“A companhia já nasce com 40 produtos. E os biossimilares também estarão entre os pilares da operação. Isso porque nosso portfólio é majoritariamente maduro e as patentes já aconteceram”, ressalta o presidente no Brasil, Ricardo Lourenço.

A biofarmacêutica Amgen, por sua vez, posicionou a América Latina como plataforma prioritária para os biossimilares. Nos últimos dois anos, injetou US$ 2 bilhões na pesquisa e desenvolvimento desses remédios, somando dez medicamentos da categoria no portfólio.

Foi a primeira empresa a aprovar o adalimumabe no Brasil, em 2019, além de ter a aprovação da Anvisa para o trastuzumabe, terapia para pacientes em tratamento do câncer de mama inicial, metastático ou tumor gástrico avançado. No fim de 2020, obteve a aprovação do infliximabe, contra diversas doenças autoimunes. “Além de comprovados benefícios clínicos, os biossimilares promovem sustentabilidade para orçamentos governamentais e hospitalares”, explica Tatiana Castello Branco, diretora médica da Amgen no Brasil.

Fórum continental levanta debate sobre o tema

A realidade dos biossimilares na América Latina será, inclusive, tema de um fórum exclusivo entre os dias 23 e 25 de junho (quarta a sexta-feira). Em formato virtual, o Biossimilars Latam deverá reunir mais de 100 executivos e pesquisadores ligados à indústria farmacêutica, institutos e autarquias no continente. O Brasil recebeu uma edição presencial do evento em 2019, na capital paulista. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas nesse link.

Fonte: Panorama Farmacêutico

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